Ao realizar o inventário de emissões atmosféricas as organizações abrem oportunidades de novos negócios no mercado de carbono e atração de novos investimentos. Relacionada à parte de processos, o inventário de GEE oferece dados para planejamento de projetos que podem gerar eficiência energética e operacional e consequentemente econômica .

 

Estamos caminhando a passos largos para uma economia de baixo carbono, e tomar conhecimento de suas emissões é o primeiro passo para um futuro que exigirá medidas urgentes e recompensará ações de combate as mudanças climáticas.

Tal ação também demonstra a responsabilidade da empresa com a resolução de problemas que afligem a sociedade como um todo e torna transparente e público seu compromisso.

Além disso, as informações geradas podem ser aplicadas aos relatórios e questionários de iniciativas como Carbon Disclosure Project, Índice Bovespa de Sustentabilidade Empresarial (ISE) e Global Reporting Initiative (GRI).

 

Inventário público e participação em programas voluntários de GEE

 

À medida que a preocupação com a mudança climática aumenta, consumidores, ONGs, investidores e outros interessados demandam cada vez mais informações sobre as emissões de GEE das organizações. Eles estão interessados nas atitudes que as organizações tomam e em como se posicionam relativamente a seus competidores em face das novas preocupações e regulamentações. Em resposta, um crescente número de organizações tem preparado inventários públicos contendo informações sobre emissões de GEE. Estes podem ser relatórios independentes sobre emissões de GEE ou relatórios mais amplos sobre sustentabilidade ou desempenho ambiental.

 

As organizações que preparam relatórios de sustentabilidade usando as orientações da Global Reporting Initiative, por exemplo, devem incluir informações sobre emissões de GEE de acordo com as normas do GHG Protocol (GRI, 2002). Relatórios públicos também podem fortalecer relacionamentos com o público interessado. Note-se também que as organizações podem melhorar sua imagem perante os consumidores e o público, sendo reconhecidas por participarem em programas voluntários de GEE. Alguns países e estados estabeleceram registros de GEE, em que as organizações podem relatar suas emissões de GEE em uma base de dados pública.

 

“Pesquisa do IBOPE Inteligência realizada em 2015 diz que 82% das pessoas já se mostram interessados em mecanismos de compensação de GEE por parte das empresas.”

 

A maioria dos programas voluntários de GEE permite ou exige o inventário de emissões diretas provenientes das operações da organização bem como emissões indiretas de GEE resultantes da energia elétrica adquirida. Um inventário de GEE preparado de acordo com as Especificações do Programa Brasileiro GHG Protocol normalmente será compatível com a maioria desses requisitos.

 

Participação em programas obrigatórios de publicação de relatório

 

Alguns governos exigem que os maiores emissores de GEE preparem inventários anuais de suas emissões. Esses relatórios normalmente incluem as emissões diretas resultantes de operações em instalações operadas ou controladas em regiões geográficas específicas.

 

Na Europa, as instalações sujeitas aos requisitos da Diretiva de Prevenção e Controle Integrado de Poluição (Integrated Pollution Prevention and Control – IPPC) devem relatar emissões que excedam um limiar determinado para cada um dos seis GEEs. As emissões relatadas são incluídas no Registro Europeu de Emissões Poluentes (European Pollutant Emissions Register – EPER), uma base de dados pública e acessível pela internet que permite fazer comparações entre emissões de instalações individuais ou entre setores industriais em diferentes países (EC-DGE, 2000).

 

Participação em mercados de GEE

 

Abordagens de mercado para reduzir emissões de GEE já existem em algumas partes do mundo. Na maioria dos lugares, elas tomam a forma de programas de comércio de emissões, embora outros países adotem modos diferentes, tais como a abordagem tributária usada na Noruega. Os programas de comércio de emissões podem ser implementados de forma obrigatória (por exemplo, o do EU ETS) ou voluntária (por exemplo, o da Chicago Climate Exchange – CCX). No que diz respeito ao Programa Brasileiro, a ampla participação e as boas práticas incorporadas no GHG Protocol informam os requisitos básicos de contabilização, detalhados no presente documento.

 

Reconhecimento por ação voluntária antecipada

 

Um inventário com credibilidade pode ajudar a garantir que as reduções de emissões voluntárias e antecipadas de uma organização sejam reconhecidas em futuros programas regulatórios (aprovados por políticas de governo). Como ilustração, suponha que em 2000 uma organização começou a reduzir suas emissões de GEE, através de um programa de substituição de carvão por gás de aterro sanitário para uso como combustível em seu gerador próprio de energia.

 

Um programa obrigatório de redução de GEE é criado em 2005 e estabelece 2003 como o ano-base contra o qual reduções serão medidas. É possível que esse programa não permita que as reduções de emissões obtidas pelo projeto de substituição antes de 2003 contem para o cumprimento da sua meta.

Entretanto, se as reduções voluntárias das emissões da organização foram contabilizadas e registradas, é mais provável que elas sejam reconhecidas e levadas em consideração quando entrarem em vigor as regulamentações que requerem reduções de emissões.

 

Por exemplo, a Califórnia declarou que empregará seus melhores esforços para garantir  que organizações que registrem reduções certificadas de emissões no Climate Action Registry, órgão do estado, sejam adequadamente consideradas em qualquer futuro programa internacional, federal ou estadual de regulação de emissões de GEE. Esse tipo de proteção é defendido pelo Programa Brasileiro GHG Protocol, que representa um grupo relevante de atores, que podem juntos pleitear o devido reconhecimento.

 

 

Written by Denis Trindade