“Uma pesquisa da Bain & Company, realizada nos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, China, Índia e Brasil, identificou que 15% dos profissionais desses países já aceitaram redução salarial para trabalharem em empresas sustentáveis. O estudo é um indicativo de como a sustentabilidade do negócio está intrinsecamente ligada à maneira como as corporações lidam com seu capital humano.”

 

Nos anos 80, a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento da Organização das Nações Unidas passou a defender que as necessidades da geração atual devem ser satisfeitas sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazer suas próprias necessidades, criando o conceito de “desenvolvimento sustentável”, usado pela primeira vez no Relatório Brundtland.

 

A longevidade das empresas passou a ser vista de outra forma.

O papel das pessoas nesse sentido ganhou novo impulso com o conceito do Triple Bottom Line (ou People, Profit and Planet), criado pelo sociólogo inglês John Elkington uma década depois. O chamado tripé supera o foco em ecoeficiência, alavancando o pilar social, para o mesmo nível estratégico dos pilares econômico e ambiental. Desde então, esse conceito passou a ser diretriz de grande parte das organizações no mundo todo.

O entendimento das pessoas como ativo fundamental para o desenvolvimento sustentável das corporações, no entanto, começou bem antes do conceito de sustentabilidade ser difundido. No anos 50, o ex-seminarista católico dinamarquês Ian Larson idealizou o Modelo das Seis Dimensões, também conhecido como Modelo Nórdico.

Os pilares econômico, ambiental e social tornam-se esferas, que interagem e se complementam, e integram-se a elas a cultura, a política e a espiritualidade. É importante entender que a esfera espiritual não está ligada à religião. A dimensão espiritual é a única individual, referindo-se ao próprio sujeito, na verdade. Traz os valores de cada indivíduo usados na tomada das decisões e nas realizações.

Reflete, portanto, a motivação de cada ator social separadamente, mas com impacto no todo. A esfera fala diretamente à Gestão de Pessoas, que tem o desafio de engajar seus profissionais em uma nova conjuntura de mercado.

 

“As palavras mundo, país, amor e serviço apareceram mais que dinheiro e sucesso em centenas de discursos de formatura de 2011 nos Estados Unidos. São novos tempos para a gestão de pessoas.”

 

Empresas comprometidas com o desenvolvimento sustentável ganham a missão de redesenhar estratégias para a utilização do capital humano em um mercado de menor necessidade da força de trabalho e que ao mesmo tempo exige mais qualificação.

É preciso dar novas funções aos colaboradores, capacitá-los, e em outra frente atender a novas necessidades individuais, como a de busca de sentido no trabalho, senso de pertencimento, transparência no relacionamento, além das obrigações naturais.

A felicidade do empregado ganha vulto e é decisiva para seu engajamento. Cabe ainda à Gestão de Pessoas ajudar as demais áreas a entenderem a sustentabilidade como vetor de crescimento, gerador de valor compartilhado e a mostrar suas funções e demandas de forma atrelada ao desenvolvimento sustentável do negócio.

Mais do que qualquer outro departamento, Gestão de Pessoas atua de forma transversal dentro da companhia, podendo levar as práticas de sustentabilidade para as demais áreas de modo capilar e estratégico e mesmo para as comunidades onde a empresa está presente. Mas, antes de mais nada, olhar atento para as contratações.

É fundamental atrair as pessoas certas. Selecionar pessoas alinhadas aos princípios de sustentabilidade da companhia garante a sua permanência e a multiplicação e manutenção da cultura de desenvolvimento sustentável.

 

Referência: Como inserir a SUSTENTABILIDADE em seus processos. CEBDS.ORG

Written by Denis Trindade